Ecopolítica em Rede, para a sustentabilidade planetária

15 de Fevereiro de 2013 às 02:31 em
por Sérgio Xavier

Neste sábado (16/2), em Brasília, participaremos do ato de fundação do novo partido, fruto do Movimento #NovaPolítica, liderado por Marina Silva. Detalhes e programação em www. redepropartido.com.br

A nova sigla, com nome ainda indefinido, está aberta a sugestões e algumas ideias, como “Semear, Plural, Brasil Sustentável, Eco Brasil e Partido Terra”, estão sendo discutidas. Sugeri Rede Verde, considerando o conceito de Partido-Rede, baseado nos princípios do Movimento #NovaPolítica: Ativismo Colaborativo, em redes digitais; inteligência coletiva-criativa e atitudes exemplares na vida real, para construção de um modelo de desenvolvimento inclusivo, sustentável e ágil. Sim, veloz, pois superar a exclusão social exige urgência e não nos resta muito tempo para conter os imensos riscos do aquecimento global.

 
Rede Verde, com a sigla #RV ou ReVerde indica "reinvenção e reciclagem" nas formas de praticar política. É a atualização do ativismo ecopolítico internacional, formulando uma nova instituição política com visão estratégica à frente dos atuais partidos ou buscando inovações pós-partidos verdes; saindo das estruturas partidárias tradicionais, mecanicistas e burocráticas, já superadas, para as redes vivas, livres e sistêmicas do século 21.


A ideia é inverter a posição estratégica dos movimentos sociais: em vez de ficarem submetidos, reféns das estruturas partidárias cartoriais, devem estar acima delas, influenciando e provocando mudanças conceituais e reais. Na nossa proposta, haverá inclusive vagas para candidaturas independentes, indicadas democraticamente pelos movimentos sintonizados com o programa da #NovaPolitica. Assim, será possível trocar as guerras entre correntes internas, que tanto desperdiçam foco e energia, por um modelo de Partido-Rede, que possibilite inúmeros movimentos orbitando livremente, focados nas suas lutas, que terão vagas garantidas para candidaturas avulsas no processo eleitoral.

A nova legenda será parceira do PV, pois ampliará o espectro ideológico socioambiental, pela sustentabilidade no Brasil. Ajudará na implantação de uma ideologia contemporânea, dinamizando a decadente política brasileira, firmando novas referências e atualizando utopias. Em vez de conflitar, vai se somar ao PV e a outros movimentos e instituições que buscarem, efetivamente, defender um modelo de desenvolvimento sustentável e a radicalidade ética na política.

Apesar de não ter avançado em instrumentos internos de democratização e não conseguir superar algumas práticas políticas tradicionais, o PV tem um programa que continua sendo o mais arrojado entre os atuais partidos brasileiros.

Continuarei filiado ao PV até a finalização do processo formal de criação da nova legenda. Como Secretário de Estado, avançarei colocando em prática o conteúdo programático do PV, como venho fazendo desde 2011, quando o governador Eduardo Campos nos convidou para implantar e dirigir a nova secretaria estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade. Estamos cumprindo fielmente todos os compromissos. E o governador tem apoiado com entusiasmo a realização de grandes projetos, como a implantação de 81 unidades de conservação na Mata Atlântica e Caatinga.

Foi a falta de instrumentos democráticos internos que levou Marina Silva a sair do PV em 2011. Logo após sua saída, ela definiu sua nova caminhada em três etapas: a primeira foi o debate livre do Movimento #NovaPolitica, lançado em 2011, que durou cerca de dois anos; a segunda é a definição sobre a criação do novo partido, como instrumento formal do movimento (que inicia no próximo dia 16/2); a terceira será a discussão sobre as eleições de 2014 e a sua possível candidatura a presidente do Brasil.

É preciso destacar que a criação do novo partido não é uma decisão apressada para lançar Marina à presidência. É um processo amadurecido nos últimos dois anos, com visão de longo prazo, como ela própria destaca. Muito diferente das práticas tradicionais de criação de partidos. Até porque, o lançamento de candidatura presidencial exigirá alianças e a formação de uma frente programática com outros partidos e movimentos.

Ligue-se nessa rede!


Lei das Ciclovias do Recife completa 22 anos sem aplicação :(

10 de Setembro de 2012 às 10:29 em
por Sérgio Xavier

Foto: Osvaldo Santos Zoom
Pedalando na Bicicletada de 31 de agosto de 2012

O tempo passa, o número de carros triplica, os congestionamentos agigantam-se, o estresse aumenta.
Por outro lado, o cicloativismo cresce, o numero de ciclistas se multiplica.
Mas a Prefeitura do Recife mantém a mesma visão carrocêntrica do século passado (cidade para carro, em vez de cidade para gente).

No Governo do Estado de Pernambuco, avançamos com o lançamento do projeto Pedala PE (veja links abaixo). Mas, como as mudanças no modelo de cidade e mobilidade dependem de nova percepção, novos valores e novos hábitos, os movimentos inovadores precisam persistir.

O Jornal do Commércio de hoje (10/09/2012) mostra que a exigência atual dos ciclistas é a mesma dos movimentos que articulamos nos anos 80. Como a mudança de paradigma é lenta...

 Veja nos links abaixo a notícia de hoje e um histórico sintético das nossas ações em defesa de uma cidade cicloviável:

(2012) – Jornal do Commércio - Ciclistas cobram respeito e política pública para a criação e manutenção de ciclovias - http://bit.ly/PUX5li

(1991) – Jornal do Commércio - A lei que criou as ciclovias do Recife continua engavetada - http://twitpic.com/at4o3d/full

(1990) - LEI Nº 15.329/90 - 1/2/1990  - Cria o PROGRAMA RECIFE-PÓLO CICLÍSTICO http://www.legiscidade.com.br/lei/15329/

(2011) -  InterJornal - Governo do Estado e Prefeitura discutem Plano Cicloviário para o Recife -  http://bit.ly/Q1Di3y

(2012) – InterCidadania - Ciclistas entregam manifesto em apoio ao Programa Pedala PE - http://bit.ly/Srcr5I

(2012) – InterJornal - Eduardo Campos lança 'Pedala PE', plano de incentivo ao uso de bicicleta com 100 km de ciclovias - http://bit.ly/NkuJDH

(1991) – Folha de Pernambuco – Por um transporte ecológico - http://twitpic.com/a5ip5q/full

(1991) - Diário de Pernambuco – Partido Verde luta para aplicação da lei que criou as ciclovias - http://twitpic.com/1y6gdb/full

(1989) - Diário de Pernambuco – Movimento pela bicicleta - http://twitpic.com/1y6h23/full


Rio+20: de volta ao futuro

17 de Junho de 2012 às 20:23 em
por Sérgio Xavier

VerdePress Zoom
Sérgio Xavier, Clovis Cavalcanti, Gilberto Gil e verdes internacionais, compondo a mesa do I Encontro Planetário dos Verdes, no Rio de Janeiro, 1992, durante Eco-92

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Artigo publicado no Jornal do Commercio de 17 de Junho de 2012

Sérgio Xavier – Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

“A conferência revelará ao mundo quem está disposto a abrir mão de lucros em nome da qualidade de vida. (...) Os povos vão despertar para o fato de os problemas ambientais estarem interligados com miséria, doenças e com o modelo econômico”. Afirmei isso há 20 anos, sobre a Rio 92, em entrevista à jornalista Patrícia Raposo, publicada na pioneira editoria de Ciência e Meio Ambiente do Jornal do Commercio, em 20 de abril de 1992 (íntegra na internet: http://bit.ly/Lj6fFy ).

Duas décadas depois, esta afirmação continua atual para a Rio+20. O futuro da humanidade e de todas as espécies da Terra ainda depende de urgentes mudanças na economia para reverter processos poluidores, que emitem gases de efeito estufa (GEE), causando aquecimento global e, consequentemente, provocando perigosas mudanças climáticas. Ou seja, exige a superação do velho modelo de produção e consumo, injusto e insustentável, que esgota recursos naturais e perpetua níveis alarmantes de pobreza e desigualdade em todos os cantos do planeta. 84% da população mundial acessam apenas 22% do que se produz. Mais de 1 bilhão de pessoas não têm sequer água limpa.

A Rio+20 agrega uma preocupação adicional em relação à Rio 92: está 20 anos mais curto o TEMPO que agora dispomos para reverter um provável colapso ‘socioeconômicoambiental’, que ocorrerá se o aquecimento planetário não for contido! Para manter a temperatura da Terra com elevação máxima de 2º C neste século será necessário correr e inovar muito para reduzir as emissões dos GEE. Estudos indicam que para manter este limite, a concentração de gases na atmosfera não pode passar de 450 ppm (partes por milhão). E já chegamos a 400 ppm! Só em 2010, a emissão de CO2 com a queima de combustíveis fósseis no mundo cresceu meio bilhão detoneladas. O maior aumento desde o início da era industrial. Ou seja, os resultados das convenções sobre clima da ONU estão muito aquém do necessário!

Visando contribuir na reversão deste cenário, o Governo de Pernambuco, em parceria com a Comissão Rio+20 do Congresso Nacional, presidida pelo deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), promove na Rio+20 o encontro “Rio Climate Challenge – Rio Clima”, com participação do governador Eduardo Campos, da ex-senadora Marina Silva, do ex-secretário de Mudanças Climáticas da ONU - Yvo de Boer, do secretário geral das conferências da ONU sobre Meio Ambiente de Estocolmo (1972) e da Rio 92 - Maurice Strong, do ex-ministro Gilberto Gil, além de representantes de 20 países (os maiores emissores e os mais vulneráveis). O nosso objetivo é simular um cenário factível de mitigação dos riscos climáticos, com propostas de adaptação e financiamento de inovações para mobilizar a sociedade, influenciar governos e agilizar avanços, tanto no processo da ONU como em ações nacionais ou de grupos de países. Em abril, no Recife, realizamos o encontro preparatório “Pernambuco no Clima”, com 9 países presentes, ressaltando que nosso Estado está numa das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas: seca no semiárido, fortes chuvas na zona da mata e avanço do mar na região metropolitana.

Por outro lado, considerando que Economia Verde, tema da Rio+20, é eixo estratégico de transição para um modelo de desenvolvimento inclusivo e de menor impacto ambiental, o Governo de Pernambuco quer atrair investimentos para atividades econômicas sustentáveis. Neste sentido, lançaremos no Rio o programa PE Sustentável (Lei nº 14.666, de 18/5/2012), que visa fomentar, com incentivos fiscais e financeiros, os principais eixos da economia verde, como geração de energias renováveis (solar, eólica, biomassa e pequenas hidrelétricas), tecnologias inovadoras e processos de eficiência hídrica e energética, criando empregos sustentáveis.

Voltando ao futuro, imaginamos que as ideias-chave nestes tempos de Rio+20 são: Respeitar Limites - de emissões, de recursos naturais, de ocupação do solo e de resiliência dos ecossistemas; Equalizar a Economia - definir cadeias produtivas que devem receber incentivos para um crescimento limpo, e as que devem decrescer deforma planejada, convertendo velhos processos inviáveis em novos modelos inclusivos e sustentáveis; Colaboração e Criatividade em Rede - trazer para a vida real a cultura colaborativa e criativa da internet; Compartilhamento - sair do ‘ter’ para o ‘usar’ de forma inteligente e eficiente, como o uso compartilhado de carros, taxis, bicicletas e uso de equipamentos que voltam aos fabricantes para ‘upgrade’, sempre que surgirem inovações, evitando lixo tecnológico; Gestão Ecoeficiente - eliminar desperdícios, ganhar tempo, implantar políticas públicas interconectadas, com soluções sistêmicas; e, sobretudo, Mudanças de Percepções, Valores e Atitudes. Pois, se a ganância humana não for revertida, nem o universo será suficiente para todos viverem em harmonia.

Todo dia é dia de sustentar a vida

05 de Junho de 2012 às 22:21 em
por Sérgio Xavier

SEI Zoom
Com o governador Eduardo Campos, em Suape, no dia Mundial do Meio Ambiente, plantando mudas de espécies nativas da Mata Atlântica

 
Artigo publicado na Folha de Pernambuco de 5 de Junho de 2012 - Dia Mundial do Meio Ambiente

Sérgio Xavier - Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

Vida depende de ar puro, água, alimento, energia, ambiente agradável. Para entender a importância do meio ambiente no nosso dia a dia, basta imaginar o que ocorreria se houvesse um “apagão ambiental”. Imagine um dia sem oxigênio ou sem comida. Imagine uma cidade ou uma empresa sem energia. Imagine um lugar inundado e outro sem água, como já ocorre agora mesmo em Pernambuco. Nem é bom pensar. Portanto, defender a conservação dos recursos naturais, criar condições para manter o clima em equilíbrio, evitar poluições de todos os tipos e proteger nossos rios é garantir as condições mínimas para a vida de quem está aqui hoje e para as gerações do futuro. Mas, como fazer tanta coisa ao mesmo tempo, lembrando que a grande prioridade é gerar emprego, reduzir a pobreza, atender a população crescente, eliminar as desigualdades e injustiças? Por onde começar?

Considerando que o crescimento econômico é o eixo propulsor de geração de renda, inclusão social, fonte de receita tributária e, ao mesmo tempo, é o principal fator de degradação do meio ambiente, precisamos começar ‘esverdeando’ as formas de produção, inclusão, distribuição, consumo e, urgentemente, viabilizando o tratamento adequado de lixos e esgotos resultantes dos processos industriais e domésticos. Assim, precisamos definir os setores limpos, de futuro, onde é desejável o crescimento, como, por exemplo, a geração de energias renováveis, as soluções rápidas para saneamento, as tecnologias de reciclagem e a construção ágil de habitações decentes para superar o imenso déficit nacional. É por isso que o Governo de Pernambuco incluiu a economia verde nas suas estratégias de desenvolvimento.

Por um lado é fundamental incentivar as empresas a economizarem energia, reaproveitarem a água, reciclarem materiais e oferecerem produtos saudáveis para os cidadãos. Por outro lado, é preciso ampliar a consciência e elevar o nível de informação das pessoas para que façam escolhas sustentáveis e mudem atitudes, fazendo a sua parte. E os governos devem dar exemplos e influenciar, fortalecendo o caminho da sustentação democrática da vida.

Para formular políticas e realizar ações que deem conta deste imenso desafio, é fundamental a integração de poderes públicos, empresas, organizações não governamentais e cidadãos. Para facilitar a construção de um sistema integrado de gestão sustentável e fortalecer os canais de interação com a sociedade, o Governo de Pernambuco criou há pouco mais de um ano a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade - Semas e incorporou o conceito de Desenvolvimento Sustentável, de forma transversal, em todas as áreas governamentais.

Importantes resultados já podem ser contabilizados, posicionando Pernambuco em lugar de destaque nacional. Por estar localizado numa das regiões, apontadas pela ONU, de maior impacto relativo ao aquecimento global (seca no semiárido e inundações na Zona da Mata e Litoral), nosso Estado foi o primeiro a lançar, em 2011, um Plano Estadual de Mudanças Climáticas, com diversas ações já em fase de implantação.

Entre estas ações, destacam-se o programa Caatinga Sustentável (com proteção de recursos hídricos, educação ambiental e geração de renda com atividades econômicas verdes, como: apicultura, ecoturismo, agroecologia, sementeiras, esportes naturais, manejo florestal, instalação e manutenção de sistemas locais de energia solar); o projeto de recomposição integrada das praias de Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista, para reduzir os processos erosivos atuais; o programa Pernambuco Sustentável, com incentivos para fomentar a emergente economia verde, atraindo empreendimentos na área de energias renováveis e tecnologias limpas; o programa Suape Sustentável, que ampliou a área de proteção ecológica de 48% para 59%, totalizando mais de 9.139 hectares - tornando-se a maior área de preservação de zonas portuárias do mundo (incluindo extensas áreas de mangues com conservação permanente), revertendo 33 anos de débitos ambientais. Pela primeira vez na história, em 2011, o complexo conseguiu um ‘superávit verde’, ou seja, as ações de plantio e recuperação dos ecossistemas superaram as supressões anteriormente planejadas.

Além disso, a Semas com a CPRH e rede de parceiros agilizam a implantação de mais de 80 unidades de conservação na Mata Atlântica e Caatinga. Em 2012 o governador Eduardo Campos já formalizou duas novas unidades de conservação na Caatinga, em Serra Talhada e Floresta (as pioneiras em nível estadual), e ainda neste “Mês do Meio Ambiente” assina o decreto criando a maior área de proteção integral da Mata Atlântica, com 2.470 hectares de rica biodiversidade nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. Com isso, aumentaremos em cerca de 30% as áreas protegidas deste bioma. Ainda temos muito a fazer, mas ações como essas merecem ser celebradas neste Dia Mundial do Meio Ambiente e nos muitos dias mais verdes que estão por vir.

Dia de agir para sustentar o futuro

05 de Junho de 2012 às 22:14 em
por Sérgio Xavier

Osvaldo Santos Zoom
Área de Mata Atlântica que está sendo recuperada em Suape

 
Artigo publicado no Diário de Pernambuco de 5 de Junho de 2012 - Dia Mundial do Meio Ambiente

Sérgio Xavier - Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

O desafio de hoje, dia mundial do Meio Ambiente, e de todos os dias do Século 21 é reinventar a civilização para garantir, em bases sustentáveis, a vida da humanidade e de todas as espécies da Terra, no presente e no futuro. Promover bem-estar e prosperidade para todos os 7 bilhões de seres humanos que hoje habitam o planeta e para os muitos que ainda não nasceram requer ecoideias, políticas inclusivas, tecnologias inovadoras, economia solidária global e novas atitudes éticas e colaborativas. Ou seja, exige novos pensamentos e valores.

O velho modelo de crescimento a qualquer custo, com foco apenas em indicadores econômicos, com pensamento “OU”, excludente (OU Pessoas, OU Ambiente, OU Futuro, OU Ética) precisa ser substituído por um novo, que valorize a vida em todas as suas formas e que seja includente, considerando simultaneamente: Pessoas (sobretudo as mais frágeis) + Ambiente (Biodiversidade) + Economia + Ética, reduzindo desigualdades e respeitando futuras gerações (priorizando o pensamento “E”, que soma, inclui, distribui equitativamente e considera tudo ao mesmo tempo).

Para fazer acontecer este novo modelo sustentável não basta crescer economicamente. É preciso equalizar e qualificar o crescimento, definindo quais tipos de atividade econômica são desejáveis, conforme suas respectivas capacidades de inclusão social e conservação ambiental. Logo, é fundamental visão sistêmica, políticas interconectadas e uma nova economia que considere a dimensão ambiental.

Pernambuco está avançando na construção deste novo modelo, replanejando o crescimento, corrigindo efeitos colaterais do antigo modelo e definindo as novas cadeias produtivas que devem receber incentivos, em sintonia com a sustentabilidade. Isso não é fácil, nem rápido, nem visível ao primeiro olhar, nem pode ser feito apenas pelo governo. Exige rede de parcerias, novos conhecimentos, perseverança e requer convivência com paradoxos. Na transição para a sustentabilidade coexistem os dois modelos. O decadente e o ascendente.

Vivendo este contexto, Pernambuco ainda enfrenta desafios e problemas antigos, mas já desponta como polo de vanguarda no campo da energia eólica, por exemplo, reunindo empresas que garantem a produção de todos os equipamentos necessários à implantação de parques geradores desta promissora modalidade de fonte renovável.

A agenda socioambiental contemporânea tem duas dimensões fundamentais: a primeira é a agenda “reativa”, que visa evitar, corrigir e recuperar danos ecológicos e sociais que são gerados permanentemente pelo modelo econômico antigo. Como este modelo parte do princípio, inviável, de que a natureza é um poço-sem-fim de matéria-prima e um depósito infinito de resíduos e poluições, os órgãos públicos ambientais jamais conseguem suprir as demandas e vivem sempre “correndo atrás do prejuízo”. E assim, os problemas vão se acumulando, se agigantando e se transformando em bombas-relógios para explodir amanhã.

A segunda dimensão é a propositiva, afirmativa, que busca formular e implantar um novo modelo, contemplando simultaneamente inclusão social, viabilidade econômica e equilíbrio ambiental, baseada no conceito de desenvolvimento sustentável. Visa reverter o processo de degradação ambiental e social, e reduzir os passivos, buscando substituir velhas práticas e tecnologias por novos modos de produção e consumo, fazendo emergir a economia do futuro.

Investir nesta segunda dimensão é disputar a liderança na ecopolítica e nos novos mercados globais. Pernambuco precisa se antecipar para aproveitar as oportunidades dos novos mercados verdes, em ascensão no planeta. Energias renováveis (cadeia da geração solar, eólica e da biomassa), veículos elétricos, indústria criativa, turismo ecológico, redes digitais ecointeligentes, cadeia produtiva ciclística (bicicletas e ciclovias), redes colaborativas de gestão de conhecimento, soluções para racionalização do uso da água, indústria reversa (reciclagem integrada), tecnologias de baixa emissão de carbono, biotecnologia, agricultura orgânica, planejamento urbano verde, sistemas de compartilhamento de veículos para mobilidade eficiente, ecodesign e arquitetura sustentável, são alguns exemplos das promissoras opções de investimento, onde Pernambuco tem potencialidade para liderar.

Em sintonia com estas potencialidades o governador Eduardo Campos lançará no espaço de Pernambuco, na Rio+20, o programa Pernambuco Sustentável, com incentivos para fomentar a emergente economia verde, atraindo empreendimentos na área de energias renováveis e tecnologias limpas. E neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o governador assina mais um decreto criando a maior unidade de conservação de Mata Atlântica de Pernambuco, na área de proteção ecológica de Suape, ampliando em 30% toda a área atualmente protegida no Estado. É a reserva de proteção integral de Bita e Utinga, com cerca de 2.500 hectares, que merece ser celebrada neste dia mundial do Meio Ambiente e em todos os dias de um futuro que queremos mais verde e equilibrado.

Imagens

    Ver imagens Ver imagens Ver imagens
Ver Mais

Últimos Clips

AchaNotícias

Eleições 2010

Sérgio Xavier no Twitter

Newsletter

Receba nossas novidades por email





Indique

Indique o blog para um amigo





Categorias

Arquivo