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Megacausas X Micropercepções

17 de Abril de 2011 às 23:45 em
por Sérgio Xavier

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João Paulo Capobianco, José Luiz Penna, Alfredo Sirkis, Marina Silva, Sérgio Xavier, Luciano Zica e Bazileu Margarido em 29 de julho de 2009, durante convite oficial para Marina Silva filiar-se ao PV

O que inspira, interliga e move a maioria da humanidade são os sonhos e as grandes causas. O que barra e atrasa são os medos, a frouxidão ética, os pequenos interesses e, sobretudo, a falta de percepção. Evolução depende de mente aberta, discernimento e vontade.

O que orgulha os humanos são as atitudes justas, dignas e corajosas, mesmo diante de momentâneas derrotas. O que nos envergonha são os comportamentos mesquinhos, mesmo nas aparentes vitórias.

O Partido Verde nasceu por uma causa grandiosa, planetária, civilizatória. E, após duas décadas de vida, não pode se apequenar. Precisa continuar se reciclando, se posicionando na vanguarda e reafirmando nossas metas e bandeiras genuínas. As utopias não morrem, pois estão sempre se renovando após cada avanço conquistado.

2010 foi o ano da grande inflexão verde no Brasil. Vinte milhões de brasileiros e brasileiras, perceberam o novo, ousaram e votaram na nossa candidata a presidente: Marina Silva. O mundo acompanhou atento e esperançoso. O Brasil oferecia ao planeta uma inovadora proposta de desenvolvimento, uma forma leve e espontânea de fazer política e apresentava uma liderança com perfil adequado aos tempos atuais: feminina, sensível, convincente pela sua própria trajetória, corajosa, comprometida com os valores mais fundamentais e antenada com as demandas mais contemporâneas. Uma liderança com sólido passado, com imensa capacidade agregadora e disposição para construir colaborativamente uma sociedade inclusiva e sustentável. 2010 está na memória e Marina Silva continua firme, à disposição do Brasil.

E agora José?

Como o PV pode se reestruturar para seguir à altura deste novo patamar? Como interagir com milhões de eleitores e consolidar-se como um instrumento político popular, unindo sabedorias, demandas e potencialidades das ruas, do campo e dos centros científicos? Como incorporar a energia espontânea e questionadora de milhões de jovens que querem atuar politicamente em rede? Como nós, fundadores deste arrojado partido, militantes incansáveis por mais de duas décadas, devemos nos reposicionar na nova estrutura, abrindo mais espaço para novas cabeças, mesclando experiência com audácia, maturidade com rebeldia? E, acima de tudo, como fazer esta integração sem agressividade, com respeito, tolerância e compreensão de múltiplas partes?

Pois é isso que estamos debatendo, vivendo e fazendo neste momento de transição e mutação. Algo que já esperávamos, como registrei neste texto de 2009, que escrevi logo depois do convite que fizemos a Marina para filiar-se ao PV - http://bit.ly/eHJTUO 

Entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, antes mesmo de participar da fundação do Partido Verde, li “O ponto de Mutação”, do físico austríaco Fritjof Capra. Um livro que continua atual, sobretudo pela constatação de que a humanidade vive uma longa “crise de percepção” – sem enxergar obviedades. Sem captar as mensagens da realidade. Sem considerar claros sinais. Sem ligar para riscos, injustiças e inviabilidade da economia baseada no crescimento ilimitado.

Fiquei muito influenciado e iniciei nesta época minha militância ecopolítica. Achava que seria fácil sensibilizar e mobilizar as pessoas, pois o ecologismo defendia o interesse de todos, no presente e no futuro. Imaginava que apenas uma pequena minoria, beneficiada pelos lucros do modelo antiecológico e excludente, seria resistente. A classe média e setores mais informados da população pobre certamente entenderiam e apoiariam. Pensava ingenuamente que seria fácil obter votos em defesa do verde, da vida, da ética. Estava enganado, mas continuei com esperança.

Passaram-se 30 anos. E só em 2008 o companheiro Fernando Gabeira despertou no Rio percepções em larga escala e pela primeira vez os verdes conquistaram mais de um milhão de eleitores e com reais chances de vitória. Gabeira ficou em segundo lugar por uma ínfima diferença de menos de 1%.

Mais foi em 2010, com a campanha de Marina Silva que veio o real “Ponto de Mutação”, numa onda verde movida por vinte milhões, sem contar outros tantos simpatizantes no Brasil e pelo mundo afora, que não votaram mas reconheceram algo novo no ar. Marina quebrava barreiras e mudava paradigmas, conseguindo dialogar com todos os setores da sociedade. Um resultado que, como ela mesma ressalta, pertence ao País e deve ser cuidado com grande atenção.

Portanto, diante de resultado tão expressivo, é inaceitável que o PV esteja perdendo energia em pequenos conflitos internos em vez de continuar unido por uma megacausa: esse histórico movimento de transformação social, cultural e econômica, que está firmando o conceito de ecodesenvolvimento. É patético assistir inacreditáveis ataques a Marina, que deixam a sociedade perplexa e desgasta a todos nós, militantes verdes, que tanto lutamos e sonhamos com este momento. É decepcionante ver alguns oportunistas tentando incitar a discórdia para tirar proveito, barganhando pequenas benesses.

Mas, o diálogo começa a apontar saídas para os desentendimentos e conflitos. Na semana passada uma comissão, da qual participei, iniciou um processo de entendimento, planejando ações concretas para decolarmos deste impasse. Já há consenso sobre a realização de seminários (para aprimoramento de programa e estatuto) e convenções municipais, estaduais e nacionais este ano, com eleições internas envolvendo os filiados. Nos próximo dias nos encontraremos mais uma vez para aprimorar e detalhar cada etapa.

É hora de resgatar sonhos, forças e caminhar com racionalidade. Um passo fundamental é definir grandes metas de consenso, focadas no amplo interesse público, que vão nos unir e nos reposicionar na direção dos movimentos transformadores. Defendo que na próxima reunião nacional sejam tomadas grandes decisões para nortear o PV e fortalecer o nosso papel no cenário político nacional. Decisões agregadoras, exemplo:

• Definir que em 2012 o PV lançará candidaturas próprias em grandes cidades. Que vai apresentar nomes qualificados e propostas inovadoras, sintonizadas com os conceitos e idéias discutidas em 2010;

• Definir que o PV terá candidatura própria em 2014, mantendo-se como alternativa a 20 milhões que já expressaram este desejo e a outros novos milhões que poderão expressar;

• Definir posição clara sobre o Governo Federal e viabilizar uma ação integrada e coerente da bancada federal;

• Definir política de alianças para 2012, formalizando critérios programáticos para coligações, exigindo compromissos mínimos;

• Definir temas prioritários para atuação do PV em todo o Brasil;

• Orientar a ação do PV nos estados e municípios nos quais integra o governo, com plano de ação e rede de intercâmbio de idéias, informações e experiências;

• Aprofundar a idéia de ‘partido em rede’ e criar grupo de trabalho para desenvolver os instrumentos adequados para implantação.

É hora de seguir o fluxo das mudanças. O momento chegou, por confluência de inúmeras forças espontâneas. Portanto, nada poderá deter, como diz o clássico texto chinês “I Ching” ou “Livro das Mutações”:

“Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano”.

Sou + 1 neste movimento, com Marina e + 20 milhões.

Sérgio Xavier

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