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Todo dia é dia de sustentar a vida

05 de Junho de 2012 às 22:21 em
por Sérgio Xavier

SEI Zoom
Com o governador Eduardo Campos, em Suape, no dia Mundial do Meio Ambiente, plantando mudas de espécies nativas da Mata Atlântica

 
Artigo publicado na Folha de Pernambuco de 5 de Junho de 2012 - Dia Mundial do Meio Ambiente

Sérgio Xavier - Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

Vida depende de ar puro, água, alimento, energia, ambiente agradável. Para entender a importância do meio ambiente no nosso dia a dia, basta imaginar o que ocorreria se houvesse um “apagão ambiental”. Imagine um dia sem oxigênio ou sem comida. Imagine uma cidade ou uma empresa sem energia. Imagine um lugar inundado e outro sem água, como já ocorre agora mesmo em Pernambuco. Nem é bom pensar. Portanto, defender a conservação dos recursos naturais, criar condições para manter o clima em equilíbrio, evitar poluições de todos os tipos e proteger nossos rios é garantir as condições mínimas para a vida de quem está aqui hoje e para as gerações do futuro. Mas, como fazer tanta coisa ao mesmo tempo, lembrando que a grande prioridade é gerar emprego, reduzir a pobreza, atender a população crescente, eliminar as desigualdades e injustiças? Por onde começar?

Considerando que o crescimento econômico é o eixo propulsor de geração de renda, inclusão social, fonte de receita tributária e, ao mesmo tempo, é o principal fator de degradação do meio ambiente, precisamos começar ‘esverdeando’ as formas de produção, inclusão, distribuição, consumo e, urgentemente, viabilizando o tratamento adequado de lixos e esgotos resultantes dos processos industriais e domésticos. Assim, precisamos definir os setores limpos, de futuro, onde é desejável o crescimento, como, por exemplo, a geração de energias renováveis, as soluções rápidas para saneamento, as tecnologias de reciclagem e a construção ágil de habitações decentes para superar o imenso déficit nacional. É por isso que o Governo de Pernambuco incluiu a economia verde nas suas estratégias de desenvolvimento.

Por um lado é fundamental incentivar as empresas a economizarem energia, reaproveitarem a água, reciclarem materiais e oferecerem produtos saudáveis para os cidadãos. Por outro lado, é preciso ampliar a consciência e elevar o nível de informação das pessoas para que façam escolhas sustentáveis e mudem atitudes, fazendo a sua parte. E os governos devem dar exemplos e influenciar, fortalecendo o caminho da sustentação democrática da vida.

Para formular políticas e realizar ações que deem conta deste imenso desafio, é fundamental a integração de poderes públicos, empresas, organizações não governamentais e cidadãos. Para facilitar a construção de um sistema integrado de gestão sustentável e fortalecer os canais de interação com a sociedade, o Governo de Pernambuco criou há pouco mais de um ano a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade - Semas e incorporou o conceito de Desenvolvimento Sustentável, de forma transversal, em todas as áreas governamentais.

Importantes resultados já podem ser contabilizados, posicionando Pernambuco em lugar de destaque nacional. Por estar localizado numa das regiões, apontadas pela ONU, de maior impacto relativo ao aquecimento global (seca no semiárido e inundações na Zona da Mata e Litoral), nosso Estado foi o primeiro a lançar, em 2011, um Plano Estadual de Mudanças Climáticas, com diversas ações já em fase de implantação.

Entre estas ações, destacam-se o programa Caatinga Sustentável (com proteção de recursos hídricos, educação ambiental e geração de renda com atividades econômicas verdes, como: apicultura, ecoturismo, agroecologia, sementeiras, esportes naturais, manejo florestal, instalação e manutenção de sistemas locais de energia solar); o projeto de recomposição integrada das praias de Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista, para reduzir os processos erosivos atuais; o programa Pernambuco Sustentável, com incentivos para fomentar a emergente economia verde, atraindo empreendimentos na área de energias renováveis e tecnologias limpas; o programa Suape Sustentável, que ampliou a área de proteção ecológica de 48% para 59%, totalizando mais de 9.139 hectares - tornando-se a maior área de preservação de zonas portuárias do mundo (incluindo extensas áreas de mangues com conservação permanente), revertendo 33 anos de débitos ambientais. Pela primeira vez na história, em 2011, o complexo conseguiu um ‘superávit verde’, ou seja, as ações de plantio e recuperação dos ecossistemas superaram as supressões anteriormente planejadas.

Além disso, a Semas com a CPRH e rede de parceiros agilizam a implantação de mais de 80 unidades de conservação na Mata Atlântica e Caatinga. Em 2012 o governador Eduardo Campos já formalizou duas novas unidades de conservação na Caatinga, em Serra Talhada e Floresta (as pioneiras em nível estadual), e ainda neste “Mês do Meio Ambiente” assina o decreto criando a maior área de proteção integral da Mata Atlântica, com 2.470 hectares de rica biodiversidade nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. Com isso, aumentaremos em cerca de 30% as áreas protegidas deste bioma. Ainda temos muito a fazer, mas ações como essas merecem ser celebradas neste Dia Mundial do Meio Ambiente e nos muitos dias mais verdes que estão por vir.

Dia de agir para sustentar o futuro

05 de Junho de 2012 às 22:14 em
por Sérgio Xavier

Osvaldo Santos Zoom
Área de Mata Atlântica que está sendo recuperada em Suape

 
Artigo publicado no Diário de Pernambuco de 5 de Junho de 2012 - Dia Mundial do Meio Ambiente

Sérgio Xavier - Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

O desafio de hoje, dia mundial do Meio Ambiente, e de todos os dias do Século 21 é reinventar a civilização para garantir, em bases sustentáveis, a vida da humanidade e de todas as espécies da Terra, no presente e no futuro. Promover bem-estar e prosperidade para todos os 7 bilhões de seres humanos que hoje habitam o planeta e para os muitos que ainda não nasceram requer ecoideias, políticas inclusivas, tecnologias inovadoras, economia solidária global e novas atitudes éticas e colaborativas. Ou seja, exige novos pensamentos e valores.

O velho modelo de crescimento a qualquer custo, com foco apenas em indicadores econômicos, com pensamento “OU”, excludente (OU Pessoas, OU Ambiente, OU Futuro, OU Ética) precisa ser substituído por um novo, que valorize a vida em todas as suas formas e que seja includente, considerando simultaneamente: Pessoas (sobretudo as mais frágeis) + Ambiente (Biodiversidade) + Economia + Ética, reduzindo desigualdades e respeitando futuras gerações (priorizando o pensamento “E”, que soma, inclui, distribui equitativamente e considera tudo ao mesmo tempo).

Para fazer acontecer este novo modelo sustentável não basta crescer economicamente. É preciso equalizar e qualificar o crescimento, definindo quais tipos de atividade econômica são desejáveis, conforme suas respectivas capacidades de inclusão social e conservação ambiental. Logo, é fundamental visão sistêmica, políticas interconectadas e uma nova economia que considere a dimensão ambiental.

Pernambuco está avançando na construção deste novo modelo, replanejando o crescimento, corrigindo efeitos colaterais do antigo modelo e definindo as novas cadeias produtivas que devem receber incentivos, em sintonia com a sustentabilidade. Isso não é fácil, nem rápido, nem visível ao primeiro olhar, nem pode ser feito apenas pelo governo. Exige rede de parcerias, novos conhecimentos, perseverança e requer convivência com paradoxos. Na transição para a sustentabilidade coexistem os dois modelos. O decadente e o ascendente.

Vivendo este contexto, Pernambuco ainda enfrenta desafios e problemas antigos, mas já desponta como polo de vanguarda no campo da energia eólica, por exemplo, reunindo empresas que garantem a produção de todos os equipamentos necessários à implantação de parques geradores desta promissora modalidade de fonte renovável.

A agenda socioambiental contemporânea tem duas dimensões fundamentais: a primeira é a agenda “reativa”, que visa evitar, corrigir e recuperar danos ecológicos e sociais que são gerados permanentemente pelo modelo econômico antigo. Como este modelo parte do princípio, inviável, de que a natureza é um poço-sem-fim de matéria-prima e um depósito infinito de resíduos e poluições, os órgãos públicos ambientais jamais conseguem suprir as demandas e vivem sempre “correndo atrás do prejuízo”. E assim, os problemas vão se acumulando, se agigantando e se transformando em bombas-relógios para explodir amanhã.

A segunda dimensão é a propositiva, afirmativa, que busca formular e implantar um novo modelo, contemplando simultaneamente inclusão social, viabilidade econômica e equilíbrio ambiental, baseada no conceito de desenvolvimento sustentável. Visa reverter o processo de degradação ambiental e social, e reduzir os passivos, buscando substituir velhas práticas e tecnologias por novos modos de produção e consumo, fazendo emergir a economia do futuro.

Investir nesta segunda dimensão é disputar a liderança na ecopolítica e nos novos mercados globais. Pernambuco precisa se antecipar para aproveitar as oportunidades dos novos mercados verdes, em ascensão no planeta. Energias renováveis (cadeia da geração solar, eólica e da biomassa), veículos elétricos, indústria criativa, turismo ecológico, redes digitais ecointeligentes, cadeia produtiva ciclística (bicicletas e ciclovias), redes colaborativas de gestão de conhecimento, soluções para racionalização do uso da água, indústria reversa (reciclagem integrada), tecnologias de baixa emissão de carbono, biotecnologia, agricultura orgânica, planejamento urbano verde, sistemas de compartilhamento de veículos para mobilidade eficiente, ecodesign e arquitetura sustentável, são alguns exemplos das promissoras opções de investimento, onde Pernambuco tem potencialidade para liderar.

Em sintonia com estas potencialidades o governador Eduardo Campos lançará no espaço de Pernambuco, na Rio+20, o programa Pernambuco Sustentável, com incentivos para fomentar a emergente economia verde, atraindo empreendimentos na área de energias renováveis e tecnologias limpas. E neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o governador assina mais um decreto criando a maior unidade de conservação de Mata Atlântica de Pernambuco, na área de proteção ecológica de Suape, ampliando em 30% toda a área atualmente protegida no Estado. É a reserva de proteção integral de Bita e Utinga, com cerca de 2.500 hectares, que merece ser celebrada neste dia mundial do Meio Ambiente e em todos os dias de um futuro que queremos mais verde e equilibrado.

SustentOPORTUNIDADE

03 de Dezembro de 2011 às 09:55 em
por Sérgio Xavier

Zoom
Capa do livro Expoidea - A feira do Futuro

Reinventar a civilização em bases sustentáveis é o desafio do Século 21. Criar uma nova economia, revertendo democraticamente megaprocessos de degradação da vida no planeta Terra, requer ecoideias, novas atitudes e tecnologias inovadoras. As soluções para evitar o colapso ambiental exigem esforços, mas também geram infinitas oportunidades.

Sérgio Xavier - Texto publicado no Livro “Expoidea – A feira do Futuro"

 
Para superar a velha economia, baseada no uso descontrolado de recursos naturais, na demanda crescente de energia e na explosiva geração de lixos e poluições, é fundamental investir em inovação tecnológica, educação e políticas públicas participativas.


Ultrapassando os limites suportáveis dos recursos naturais e criando situações de riscos, o crescimento econômico por si só já não representa melhoria do bem estar social. A base natural que sustenta a vida está em situação crítica. Em Pernambuco restam 52% da Caatinga, menos de 50% dos Mangues, cerca de 2% de Mata Atlântica e 0% de rios limpos. Não adianta elevar renda e consumo se continuarmos perdendo progressivamente qualidade e expectativa de vida.


O velho modelo de crescimento a qualquer custo, com foco apenas em indicadores econômicos, com pensamento “OU”, excludente (OU Pessoas, OU Ambiente, OU Futuro, OU Ética) precisa ser substituído por um novo, que valorize a vida em todas as suas formas e que seja includente, considerando simultaneamente: Pessoas + Ambiente (Biodiversidade) + Economia + Ética, reduzindo desigualdades e respeitando futuras gerações (priorizando o pensamento “E”).


Criar um modelo de desenvolvimento sustentável exige mudanças culturais, acesso a conhecimentos, financiamento à inovação e, sobretudo, compromisso com equidade social nas relações de consumo. Por outro lado, o caminho para a sustentabilidade abre infinitas oportunidades, em múltiplas áreas. Cada problema provoca reflexões e multiplica possibilidades criativas na busca de soluções em cadeias produtivas.


O ecodesenvolvimento requer uma base tecnológica caracterizada por baixa emissão de carbono (para evitar aquecimento global), racionalização energética, reciclagem de resíduos e uso de matérias primas obtidas em processos naturalmente equilibrados. Planejamento, educação, capacitação profissional, comunicação e pesquisa continuada são os pontos de partida.


Para viabilizar transformações consistentes, as estruturas e os processos educacionais e profissionalizantes devem se orientar por conceitos arrojados e visão antecipatória do futuro. Em vez de estar a reboque do mercado e do modelo econômico convencional, a ciência, a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e a educação devem estar adiante, influenciando e construindo futuros desejáveis: socialmente justos, economicamente viáveis e ecologicamente equilibrados.


Prospectar e interligar conhecimentos, criar ambientes de intercâmbio criativo e consolidar redes colaborativas são ações fundamentais para a construção de novas formas de viver, conviver e buscar a felicidade, para gerações atuais e vindouras. A Expoidea agregou estas múltiplas dimensões e mostrou que Pernambuco pode se transformar no Estado da inovação colaborativa e sustentável, focando nas oportunidades da emergente economia ecológica.

O estado precisa se antecipar e aproveitar as oportunidades dos novos mercados verdes, em ascensão no planeta. Energias renováveis (cadeia da geração solar, eólica e da biomassa), carros elétricos, indústria criativa, turismo ecológico, produtos virtuais, redes digitais, eletrônica orgânica (novos circuitos de carbono), cadeia produtiva ciclística (bicicletas e ciclovias), redes colaborativas de gestão de conhecimento, mercado da racionalização do uso da água, indústria reversa (reciclagem integrada), tecnologias de baixa emissão de carbono, biotecnologia, agricultura orgânica, planejamento urbano verde, Ecodesign e arquitetura sustentável, são alguns exemplos das promissoras opções de investimento, onde Pernambuco tem potencialidade para liderar.

Pernambuco tem um enorme potencial para se transformar em um pólo internacional de inovações sustentáveis. Reúne centros de pesquisa de referência em diversos setores, tem uma economia crescente, vocações diversificadas, uma localização geográfica privilegiada e possui recursos naturais que ainda podem ser recuperados, preservados e explorados de forma sustentável. Além disso, tem a cultura e o turismo como forças econômicas que dependem de ambiente preservado para evoluírem.


Reduzir a desigualdade e proteger os recursos naturais é a chave para viabilizar um desenvolvimento equilibrado. O aumento de renda de populações pobres possibilita ampliar o consumo e manter o dinamismo da economia. A redução de desperdícios, a reciclagem, o uso de tecnologias de baixa demanda energética e de baixo impacto ambiental, combinados com a gestão permanente dos recursos renováveis, possibilitará prolongar a vida humana na Terra e melhorar coletivamente a sua qualidade.


Tudo isso ocorrendo simultanemanente promove um novo ciclo econômico, gerando novos perfis de emprego e renda, realimentando processos seguros e evolutivos de desenvolvimento.


O principal eixo da nova Economia Sustentável deve ser o investimento em atividades geradoras de empregos verdes, em larga escala, envolvendo profissionais de ponta e também parcelas pouco qualificadas da população. Transformar desperdício em renda, a partir de inovação nos processos, é o caminho para multiplicar empregos, sem grandes investimentos. Isso é possível, por exemplo fazendo um "Upsizing" das grandes cadeias produtivas (ampliando postos de trabalho, reformulando a matriz energética, recuperando recursos degradados e reduzindo a poluição - simultaneamente, num processo econômico "ganha-ganha").


Expoidea - A feira do futuro, despontou em boa hora, mostrando que os novos horizontes sustentáveis, estão se abrindo a partir de mentes instigadas e organizações cocriativas, atuando em rede.

Texto publicado no Livro “Expoidea – A feira do Futuro – Um mundo de idéias para construir uma idéia melhor de mundo. Organizador - Rogério Robalinho. Expoidea, 2011.

 

 VIDEO EXPOIDEA

Video Expoidea - A Feira do Futuro

 

LINK PARA VIDEO DO EXPOIDEIA 

http://vimeo.com/couchmode/expoidea/videos/sort:newest/25737447

LINK PARA REVISTA EXPOIDEA

http://issuu.com/expoideafeiradofuturo/docs/revista_expoidea_2010

"Sustentabilidade passa pelo viés econômico"

18 de Novembro de 2011 às 10:47 em
por Sérgio Xavier

Osvaldo Santos Zoom
Secretário Sérgio Xavier defende discussão esclarecida da sociedade sobre termelétrica

Entrevista de Sérgio Xavier ao jornalista Jailson da Paz, do Diário de Pernambuco 

 

Matéria publicada no Diário de Pernambuco - 14 de Novembro de 2011


 Um dos responsáveis pela filiação da ex-presidenciável Marina Silva ao PV, Sérgio Xavier está há cerca de oito meses à frente da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). A secretaria, em fase de estruturação, começou a receber na semana passada os 73 técnicos indispensáveis para se tocar projetos considerados essenciais para a área, como a criação das 81 unidades de conservação estaduais. Delas, 68 são na Mata Atlântica e 13, na Caatinga. Mas os desafios não esperaram pela estruturação da Semas. Nos últimos meses, questionamentos bateram à porta da secretaria. Dois deles relacionados à produção de energia elétrica. Um se refere à proposta de se implantar uma usina nuclear no Sertão. O outro trata da polêmica em torno do projeto da maior termelétrica do mundo em Suape. E as broncas, pelo viés político, caíram no colo de Sérgio, conhecido por ser um defensor das fontes renováveis de energia. Para o verde, Pernambuco está buscando equilibrar desenvolvimento, representado principalmente por Suape, e meio ambiente. Fundador do PV, hoje Sérgio diz ser apenas um filiado, acompanha atentamente os passos da legenda.

Saiba mais

Sérgio Xavier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, ecologista e empreendedor da área de comunicação digital.

15 de março de 2011, assume a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) de Pernambuco.

2010, candidatou-se a governador. Teve a terceira melhor votação, ficando atrás do governador Eduardo Campos (PSB) e do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB).

2003 a 2006, ocupou a Secretaria Nacional de Fomento e Incentivo do Ministério da Cultura na gestão Gilberto Gil, no primeiro governo Lula. Nacionalmente, também ocupou cargos no Ministério do Meio Ambiente e no Sebrae.

1998, integra o Conselho de Administração do Canal Futura.

1992, tornou-se o primeiro candidato a vereador pelo
PV no estado.

1990, desenvolveu projetos culturais e socioambientais, como o EcoFestival no Cânion do Rio São Francisco.

Anos 1980, fundou o Partido Verde (PV) em Pernambuco e no Brasil.


ENTREVISTA ESPECIAL
"Sustentabilidade passa pelo viés econômico"


Diário de Pernambuco - Conciliar desenvolvimento e meio ambiente é uma equação difícil, na qual o meio ambiente sai perdendo. Pernambuco tem conseguido equilibrar essa conta?

Sérgio Xavier - O planeta ainda não conseguiu equilibrar. Pernambuco, como o mundo inteiro, está buscando o equilíbrio. Estamos passando por uma transição. Toda transição implica contradição, que precisa ser encarada com inteligência. A mudança de modelo tem que ser planejada com muito cuidado para não gerar impacto social. Não dá para descartar de forma radical a indústria convencional. É preciso construir um processo de conversão, com incentivos, capacitações e cuidados para evitar colapsos sociais. Avançamos na redução da pobreza, porém a questão ambiental não está resolvida. Mas já se sabe o que tem que se fazer. E é nisso que estamos trabalhando.

Quando o senhor diz que já se sabe o que tem de se fazer está falando dos governos ou da sociedade?

A sociedade sabe que deve preservar os recursos naturais para garantir qualidade de vida não só para agora, mas para o futuro. Sabe que não pode continuar emitindo CO2 por conta do aquecimento global, que vai desequilibrar todas as condições de vida do planeta. Os limites da natureza estão sendo ultrapassados e há o risco de a natureza não ter mais capacidade de regeneração. A quebra da resiliência sempre aconteceu na economia e na vida social. Agora está sendo quebrada no terceiro pilar da sustentabilidade, o do meio ambiente.

Dá para discutir meio ambiente com o sistema de produção atual?

Essa é a grande questão. A sustentabilidade passa pelo viés econômico. Por isso, a Semas está focando muito na chamada economia verde, que é o núcleo fundamental do processo de transformação. Se investirmos nas fontes renováveis de energia, por exemplo, reduziremos a emissão de gases do efeito estufa. A economia hoje não é amistosa com os recursos naturais. Existe o mito de que o meio ambiente atrapalha a economia, mas é o inverso. A economia não pode funcionar sem o meio ambiente.

E não caberia aos governos forçar mais esse equilíbrio?

A solução está na cidadania. Ela influencia governos e produção. E tem o papel de mudar atitudes e comportamentos, desde a reciclagem de lixo ao uso da energia.

Por falar em energia, a termelétrica Suape III, anunciada pelo governo, é o melhor modelo para manter a sustentabilidade econômica do estado?

O modelo energético tem que ser baseado na diversidade. Prefiro as energias renováveis, mas algumas situações exigem combinações para a oferta permanente de energia. Porque o sol nem sempre está disponível, os ventos oscilam e os rios, em alguns momentos, podem ter menos água. O mundo inteiro está construindo sistemas interligados. No caso, a termelétrica é uma fonte para emergência.

A termelétria seria um mal necessário?

Tem que haver uma discussão esclarecida da sociedade. Mas defendo a conversão da termelétrica, que seria a óleo, para gás natural. Porém esse gás tem que estar disponível. E é bom deixar claro que o modelo energético é definido pela União.

Em meio à polêmica sobre a termelétrica, o ex-ministro Raul Jungmann disse que o senhor não teria sido ouvido no processo. O senhor foi?

Jungmann passou por governos e sabe que em um governo muitos projetos são elaborados e analisados paralelamente. E que cada secretaria tem um papel. O papel da Semas é analisar o projeto depois de ele ter sido elaborado tecnicamente com todas as exigências da lei. E no caso da termelétrica não nos posicionamos porque o projeto ainda não chegou à secretaria. Do ponto de vista ambiental, posso ser contra. Sou contra tecnologias que acho ultrapassadas. Enquanto estado e governo, tenho que cumprir todo ritual legal, formal. Afinal, os projetos são feitos dentro das exigências legais. Não posso ter uma visão individual porque não estarei sendo democrático no processo. Só vou poder dizer se a usina é ou não adequada depois que receber o projeto e ter em mãos a análise técnica da equipe credenciada

Embora planejamento energético seja federal, setores sociais e científicos dizem que o estado poderia ter rejeitado a proposta da termelétrica. Isso seria possível?

A discussão tem que ser feita de maneira mais ampla, olhando-se o país. Por exemplo, a usina nuclear. Não adianta o estado ser simplesmente contra a usina porque ela pode ser instalada do outro lado do Rio São Francisco. Se tiver um acidente, todo mundo vai sofrer. Por isso, a discussão tem que ser nacional. O que podemos fazer aqui é buscar um conjunto de ações para fortalecer as fontes renováveis. E o governo Eduardo Campos criou um programa para incentivar a eficiência energética dentro do governo e apoiar as fontes renováveis. E tirou de pauta essa questão da usina nuclear.


O senhor é muito ligado à ex-presidenciável Marina Silva. Assim como ela saiu do PV, o senhor pretende deixar a legenda?

Neste momento, estou focado na Semas para dar resultados e fazer o que defendemos desde o início do PV. Quando Marina resolveu sair do partido, apoiei a senadora e a acompanhei no movimento que lidera no país, o movimento por uma nova política. E me afastei voluntariamente do partido. Hoje sou um simples filiado. Minha continuidade no PV vai depender do grau de compromisso que o partido tenha com suas bandeiras, como o programa que o partido criou no início. Um programa que é arrojado, mas que muitas vezes não é valorizado porque o pragmatismo da política acaba prevalecendo.

Quem não valoriza o programa é a atual direção nacional?

O PV está num momento crítico. Teve, com Marina Silva, cerca de 20 milhões de votos e não conseguiu incorporar esses votos à sua estrutura. Foi isso que Marina defendeu e o que levou à sua saída da legenda. Estou vendo como o partido se comporta.

Então o senhor é um dissidente?

Sou uma minoria. Minoria que pode ser ouvida, mas nem sempre é respeitada.

Com o surgimento da pré-candidatura do ministro Fernando Bezerra Coelho, o PV deve persistir com a ideia de candidatura para prefeito do Recife?

Seria importante ouvir o presidente do partido, Carlos Augusto Costa, que está conduzindo o processo. Ele é uma pessoa muita equilibrada. Nesse momento, o partido tenta encontrar uma nitidez maior não só de seu programa, mas também de seu campo político e, sobretudo, no caso da Semas, o partido ganha oportunidade de fazer acontecer o que sempre defendeu. A legenda nunca participou de uma secretaria como agora, um projeto para dar sustentação a políticas públicas e que envolve diversas áreas.

A política deve ser reciclada

14 de Outubro de 2011 às 10:09 em
por Sérgio Xavier

Foto: Osvaldo Ferreira Zoom
Sérgio Xavier, secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

 Entrevista de Sérgio Xavier ao jornalista Valdecarlos Alves, da Folha de Pernambuco:

O senhor assumiu uma secretaria onde precisou começar do zero. Como está funcionando hoje a estrutura da pasta?

Estamos fazendo vários trabalhos simultâneos. Tem a organização física da secretaria, a parte institucional, composição da equipe, planejamento de uma política sustentável para o Estado, que não é só focada nas questões ambientais, mas extrapola para a economia e outras áreas. O governador Eduardo Campos está comprometido em trabalhar políticas integradas para a sustentabilidade. É um conjunto de ações. É um processo que está andando numa velocidade maior do que o normal, mas é um processo complexo porque a máquina pública impede que as velocidades sejam maiores. Nestes primeiros seis meses, já tivemos diversas ações importantes.

Quais as ações que puderam ser feitas até agora?

Iniciamos a implantação de 81 unidades de conservação em Pernambuco, inclusive com 13 na Caatinga. É um projeto de grande impacto e que garante a biodiversidade. Isso é importante para enfrentar as mudanças climáticas e equilibrar os ciclos das águas. Estamos trabalhando para recuperar as praias na Região Metropolitana do Recife. O projeto já está pronto e as obras começam no início do próximo ano em Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista. Vamos ter areia novamente nas praias onde hoje existem pedras por conta da erosão marinha. As pessoas vão poder caminhar novamente nas praias. São recursos estaduais, federais e estamos trabalhando para que os municípios participem. São projetos que ultrapassam os R$ 200 milhões. Outro programa importante é o Plano Estadual de Resíduos Sólidos. Até 2014 não terá mais lixão em Pernambuco. Teremos um sistema de coleta seletiva. A legislação determina que as empresas coletoras de lixo sejam responsáveis pela coleta dessas embalagens e produtos recicláveis, além de um sistema de aterro sanitário interligados com consórcios em vários municípios. Estamos também trabalhando diversas ações na área de economia verde. A secretaria está ajudando o governo a formular um plano de incentivo atraindo para o Estado diversos empreedimentos nessa área. Estamos articulando a vinda de uma fábrica de carros elétricos. Há também a possibilidade de ganharmos uma fábrica de barcos elétricos. Criamos um grupo de discussão sobre empregos verdes e economia sustentável.

Com a saída de Marina Silva, do PV, gerou uma expectativa grande que o senhor deixaria a pasta. O que pesou para continuar na secretaria?

Nós temos um compromisso programático. Quando o governador convidou o PV, nós fizemos um documento com 15 pontos programáticos e isso está guiando a nossa ação no Governo, que vem cumprindo. Não são pontos simples, são coisas complexas e que exigem tempo para fazer a implantação. Quando houve a saída de Marina do partido para criar um movimento, resolvi acompanhá-la e dar todo apoio. É um movimento suprapartidário. Como sou fundador do PV e estou no partido há mais de 25 anos, achei que deveria ficar filiado, acompanhar Marina e avaliar depois quais os próximos passos. Vários companheiros do partido [como Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis] resolveram apoiar Marina e manter a filiação no partido até que se defina claramente como esse movimento vai avançar.

O então candidato Sérgio Xavier defendia em 2010 independência do PV. No entanto, hoje, o partido não apenas aliou-se como também ganhou uma secretaria do governador Eduardo Campos.

Em Pernambuco, o PV é um partido independente. Participar de governo não é ser subserviente. É ter a coragem de contribuir na prática e tentar colocar o discurso para funcionar nessa prática. O PV passou 25 anos em Pernambuco defendendo conceitos e ideias. Quando o PV participou de governos passados, não tinha nenhum tipo de força para implantar políticas de sustentabilidade. Pessoas que hoje criticam a nossa participação no Governo Eduardo Campos participaram de governos passados. Não lembro de nenhuma ação que chegue perto do que estamos fazendo, inclusive com a implantação de uma secretaria que antes não existia e que na época o PV não exigiu que a mesma fosse criada.

Que independência é essa?

O PV está em um momento que é parceiro e participa do Governo Estadual ao conduzir a secretaria. Mas, em 2012, vai articular e discutir a sua participação nas eleições de maneira autônoma e independente. Não vejo nenhuma contradição nisso, muito pelo contrário. Quando o governador nos convidou, a maioria dentro da legenda achou importante porque o PV teria a oportunidade de levar para o Governo o que estava defendendo na campanha. Eduardo Campos não precisaria do PV, pois teve uma votação muito expressiva, a maior do Brasil.

Como manter um discurso de sustentabilidade ambiental em meio a uma avalanche de empreendimentos que chegam ao Estado?

A civilização humana passa por uma transição. Toda transição implica em contradição. Estamos vivendo o aquecimento global e o mundo inteiro precisa reduzir as emissões de carbono, mas ao mesmo tempo todo mundo usa carro ainda movido a combustível fóssil gerando o CO2. Durante muito tempo o mundo ainda irá depender do petróleo. Então é uma contradição. A mudança de modelo tem que ser planejada com muito cuidado para não gerar impacto social. Não dá para jogar no lixo toda uma indústria que está aí há séculos e começar algo novo de imediato. Isso é impossível. É uma processo transitório e que precisa ter muito cuidado para fazer isso. Pernambuco tem um momento interessante porque como a economia cresce e tem muito capital sendo investido, fica mais fácil fazer essa transição. Por que? Porque aqui tem mais gente qualificada e se pode trabalhar com inovações e mudanças. Nesse momento, estamos buscando evitar o que os especialistas chamam de 'expansão-crise', que é o crescimento rápido de uma região durante um período. Mas em seguida, começa a ter desemprego, drogas, violência e uma série de problemas. É isso que discutimos no governo. Como aproveitar esse momento para planejar o pós-obra para que a economia continue firme nessas regiões, como Suape e outras áreas do Estado.

O senhor foi acusado de silenciar diante da chegada da Termelétrica em Suape, considerada por opositores como a “maior usina suja do mundo”.

Não silenciei. Fiz uma coletiva à Imprensa e dei minha posição no meu blog. Sempre disse que a área ambiental ainda não tem o projeto. Não recebemos o projeto, que precisa ter um estudo de impacto ambiental. O empreendedor tem que apresentar o detalhamento desse projeto, quanto tempo essa usina irá ficar ligada porque é uma usina de emergência e não deve funcionar o tempo todo... Com os dados, iremos apresentar uma posição técnica. Quando você é governo, tem que analisar do ponto de vista das leis e ter o cuidado para não fazer nada que não seja democrático, ouvindo as pessoas e opiniões. O projeto não existe ainda em detalhamento. A usina de emergência é aquela que fica pronta para entrar a qualquer momento. Teve um apagão, você liga. Sempre defendi as fontes renováveis e acho que o gás natural seria a melhor alternativa. Só vou poder dizer se a usina é ou não adequada depois que receber o projeto e ter uma análise técnica.

Em um dos seus artigos no seu blog, o senhor chamou de 'MangueBrita' o processo de industrialização em Suape...

Suape foi decidido há 30 anos. O que estamos fazendo agora é atenuar uma decisão que foi dos anos 70. Temos defendido que se mantenha o máximo de mangue possível, de áreas verdes, etc... Nesse sentido, o governo lançou o programa Suape Sustentável onde aumenta de 48% para 59% a área verde em Suape e se comprometeu em recuperar 6.800 hectares de Mata Atlântica. É um projeto que leva tempo. Não basta plantar, mas acompanhar que essa muda cresça. Estamos ainda estruturando um programa para a pesca artesanal, para que o pescador tenha apoio e seja um parceiro ambiental. Algumas áreas de Suape são irreversíveis, pois se tirou o mangue e foram implantadas indústrias. Mas outras áreas podemos recuperar e vamos trabalhar para serem recuperadas.

O PV, em Pernambuco, não cresce. Tem apenas um vereador no Recife (Augusto Carreras) e o único deputado estadual, Daniel Coelho, foi para o PSDB. O que falta?

Todos os partidos, neste momento, têm problema de crescimento. Está acontecendo migração de gente de um partido para o outro e são as mesmas pessoas. Os partidos não estão se renovando e as pessoas não estão motivadas a participar de um partido porque os partidos envelheceram e viraram estruturas muito fechadas. Por mais democráticos que sejam, os partidos ainda têm dificuldade de incorporar milhões de pessoas que gostariam de estar discutindo pela internet, por exemplo. Não temos um partido da era digital. É isso que estamos discutindo com Marina Silva. Como incorporar a política sem fio, wireless, móvel. O PV está nesse contexto e vive as contradições de todos os outros partidos.

O PV terá candidato à Prefeitura do Recife?

Há uma determinação nacional de buscar um canal nessas eleições que fortaleça essas bandeiras e questões que o Partido Verde vem defendendo. Mas acho que ainda está cedo para discutir detalhes. Antes de falar de candidatura, o mais importante é saber qual é a renovação que devemos agregar em 2012. Quais são as inovações do ponto de vista da forma de fazer campanha, conteúdo, forma de fazer aliança, forma de criticar os adversários. A política está virando algo muito grosseiro, agressivo e é preciso manter a elegância e ter equilíbrio. Focar nas ideias e não nas pessoas. É importante numa eleição de dois turnos, o partido apresentar as suas candidaturas. Agora, se tem um conjunto de partidos pensando muito parecido, não tem porque lançar muitas candidaturas. No caso do PV, temos propostas que, neste momento, se diferenciam da maioria dos partidos, como foi na eleição de 2010. Como as cidades são fundamentais para se discutir a sustentabilidade, porque os grandes impactos estão nesses locais, a eleição municipal é muito importante para se debater esse tema. O Recife tem problemas seríssimos que só vão ser resolvidos se mudar o conceito, a concepção e a lógica. É sair da lógica tradicional e ir para uma lógica nova, com imaginação. O PV pode agregar e é isso que estamos discutindo com Marina Silva, que no ano que vem vai não só articular propostas, mas apontar candidaturas que merecem uma atenção especial.

O PT tem mexido os pauzinhos rumo a 2012 e isso tem gerado estremecimento na base, principalmente com o PSB. Como fica o seu partido nesse briga de cachorro grande?

Acho que os partidos devem manter sua independência, sua autonomia. Tem que construir suas ideias, suas propostas, de maneira muito tranquila. Quando um partido tem uma ideia para ser apresentada, não necessariamente está contra outro partido. Está a favor de uma ideia, de uma proposta. Todos os partidos e todos os indivíduos devem ser livres para apresentar suas propostas, suas ideias, seus projetos... As alianças devem ser recicladas a cada ciclo. Você não pode ter compromissos eternos porque a política é dinâmica, os cenários mudam, os processos são muito complexos... Quando você acha que o aliado está com você pra sempre, você se acomoda. Isso é ruim. É importante estar sempre se renovando. É como o casamento. Tem que estar conquistando o tempo todo para não correr o risco de perder. E eleição foi pensada para isso. Para de quatro em quatro anos revisar tudo. É natural que os partidos repensem. Não é levar isso para o nível do drama.

A executiva estadual do partido reivindica atualmente o mandato de Daniel Coelho, baseando-se na fidelidade partidária. Qual sua opinião?

Me afastei da direção do partido e sou um simples filiado do PV. Esse assunto está sendo discutido pela Executiva. Como não participei dessa discussão não me sinto à vontade para falar sobre o assunto. 

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